quarta-feira, julho 08, 2009

casi un suspiro
"Na próxima estação, entretanto, é a liguagem do styling que fala mais alto. (...) Como diria a suprema e lendária Diana Vreeland: 'Em tempos de crise você tem que ter estilo. Ele nos ajuda a levantar da cama pela manhã. É um jeito de viver. Sem estilo, você não é inguém. E eu não estou falando de um montão de roupas'.
Assim, brilhantes image makers inventaram infalíveis truques antimonotonia - que Vogue endossa: vista uma camiseta branca, mas que tenha movimento assimétrico graças à meia-gola de plumas marabu, drapeado e fios de pérolas gigantes embutidas, bem noventista, como a de Ricardo Tisci para Givenchy. Não hesite em assumir a gola-xale com raposa sobre a pele nua como Miuccia Prada, em plena desconstrução sexy, mostrou na Miu Miu. Afaste-se do tom sombrio do momento adotando as estranhas e estupendas combinações de cores de Dries Van Notten, baseadas no trabalho do pintor fauvista holandês Kess Van Dongen (1877-1968). Mesmo que não seja fã, adote qualquer coisa drapeada à la Balenciaga. Ouse tentar amarrar um lenço armado, de cor viva, para imitar (!) a beleza absurda das golas de Raf Simons para Jil Sander, inspiradas nas cerâmicas do escultor francês Pol Chambost (1906-1983). Atreva-se a usar a longa saia-sereia de cetim vermelho como a de Haider Ackermann para ocasiões menos formais ou as franjas de plumas de cor contrastante nos cabelos que Alber Elbaz lançou na Lanvin. Calce resoluta e sem pudores as unânimes e longuíssimas botas cuissardes. Elas são inevitáveis. Pense que na moda, assim como na vida, sonho, emoção, imaginação e energia serão cada vez mais importantes. Afinal, como já dizia Willian Shakespeare (1564-1616): 'Ação é eloquência'
"
(Costanza Pascolato na sua coluna da Vogue de junho)

Eu não entendo de muóda, nem muito menos sabia quem era Diana Vreeland, e, sinceramente, não reconheço a importância da dona Pascolato no mundo da muóda. Eu só sei de uma coisa: esse trecho aí é das coisas mais esdrúxulas, estapafúrdias, aturdidas e engraçadas que eu já li na minha vida (o negrito é meu). E eu queria compartilhar com vocês, néam?

O meu estilo? Atualmente é "O que temos no armário". Porque, assim, o Chamego Center entrou, oficialmente, em resseção recessão. O mundo todo em crise econômica, uma hora dessas a gente ia entrar também. Então, tirando uma calça cigarrette, que comprei achando que era skinny (pra vocês verem como eu não entendo nada de muóda mesmo), não tem uma só peça nova no meu armário nessa estação. Sim, este é um momento "oh vida! ó azar!". Eu olho vitrines, eu folheio revistas, eu tenho vontades de consumo. Eu sofro. Mas com estilo mindinga in crisis.

(Eu sou bem mulherzinha, às vezes. Embora eu não entenda nada de muóda.)

Meu sonho besta de consumo da semana? um macacão xeans. Isso não deve estar na muóda. Não, néam?

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"Vamos pedaleando contra el tiempo, soltando amarras / Brindo por las veces que perdimos las mismas batallas" (Salvapantallas)

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Ontem foi aniversário do Siete Siete. Feliz cumpleaños, publicamente, atrasado, numérico querido. Feliz feliz.

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"...brisa del mar, llevame hasta mi casa, brisa del mar..." (Un pais con el nombre de un río)

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E as mini férias? Foram ótimas. Família junta reunida no chalé romântico em Gramado (recomendo muito!), com lareira, queijos, vinhos e pinhão cozido. O melhor do inverno. To-dos os parques, temáticos ou não, da serra gaúcha (até na Aldeia do Papai Noel eu fui: eu, a pessoa que menos acredita em papai noel nessa vida). Cânions de Cambará. São Chico de Paula. A Maria Fumaça trapaza de turista com vinho ruim e cantoria atordoante de Bento Gonçalves. Chocolate quente chocolate quente chocolate quente. Fondue de carne de avestruz. Tudo que vocês puderem imaginar e que a gente tenha direito nessa vida.

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self portrait yesterday invernal com céu azul à beira do lago negro


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Agora eu tô aqui, de volta ao batente, porque a vida é assim. E nada é mais importante pra mim, agora, que meu tempo de protrombina, meu grau de (anti)coagulação do sangre, minha dieta pobre em vitamina K e comer com talheres de prástico pra não me cortar. Com rima e rica e tudo, porque poesia... ah, a poesia!


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"Hermana duda, pasarán los años, cambiarán las modas, vendrán otras guerras, perderán los mismos y ojalá que tú sigas teniéndome a tiro / Pero esta noche, hermana duda, dame un respiro" (Hermana duda)

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E eu já falei que agora eu tenho um cortador de comprimidos? E que a vida da pessoa é outra depois que a pessoa é dona de um cortador de comprimidos? A minha vida se divide em ACC e DCC - antes do cortador de comprimidos e depois do cortador de comprimidos. Já tenho assunto com as velhinhas nas salas de espera semanais dos laboratórios de análises.

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"Sobre todo creo que no todo está perdido / Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío" (Al otro lado del río)

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E o show do Drexler na segunda? Eu vou nem falar que eu chorei que eu sorri que eu cantei que eu chorei que eu. Vou não.

# . por Joelma Terto .  0 Comentários