terça-feira, abril 14, 2009

dos começares e não terminarem
Voltei a fazer os Tertolinos, cujos tecidos, linhas, agulhas e enchimentos estavam esquecidos em caixas e gavetas desde antes do Natal. Enquanto vou furando os dedos nesse atelier improvisado em cima da mesa, entre xícaras e potes de torradas, vou pensando que só mesmo costurar bonecos de pano sem boca é que pode me salvar de mim mesma nesse início de outono mormacento, quente e preguiçoso.

"Posso dizer que o processo de fabricação dos Tertolinos não usa mão de obra escrava?", pergunto pro 77.

"Pelo menos não chinesa", responde o numérico de lá do computador. E eu penso que é esse tipo de humor que me faz seguir gostando tanto dele, todos os dias.

...

"Giorgio, eu sinto medo na longa estrada
O medo é a moda desta triste temporada
Giorgio, tá tudo assim nem sei tá tão estranho
A cor dessa estação é cinza como o céu de estanho"
(Zequinha Baleiro em Balada para Giorgio Armani)

# . por Joelma Terto .  0 Comentários