terça-feira, março 03, 2009

“vai pra frente, vai pra trás e faz piuí”*
Quando desembarquei em São Paulo no sábado, meus anfitriões perguntaram se eu tinha algum plano ou programa específico pro final de semana e foram logo emendando: “nós queremos te levar amanhã pra uma cidadezinha chamada Paranapiacaba”. Meus olhinhos brilharam e eu disse “SIM!”, sem nem pensar muito bem, no maior estilo Jojo Topa Todas.

Então, depois de um sábado quente pracaralhos fazendo coisas bacanas e cosmopolitas – como ir na feira da Benedito Calixto, meu lugar no mundo em Sampaulo; conhecer o Parque da Independência, onde dão Pedro proclamou, com desarranjo intestinal e tudo, a independência do vocês sabem o que, às margens do riacho Ipiranga, que eu também conheci; e barzin-botequim na vila Madá tomando drinks exóticos – nós acordamos cedo no domingão quente pá dedéu e fomos, em alegre bando, felizes e saltitantes, ouvindo antigos sucessos de artistas que sumiram no mundo sem avisar, como Beto Barbosa e Biafra, só pra ficar na letra B.

Momento guia quatro rodas on. Paranapiacaba é uma pequena e antiga vila com ares ingleses a 48 da capital paulista, que pertence ao município de Santo André. Surgiu pelos idos dos mil oitocentos e lá vai bolinha quando da implantação da primeira ferrovia paulista, construída pela companhia inglesa São Paulo Railway Co.
Ponto.

Turismo regional coisa linda.

Dizia no guia que o lugar era tão inglês que tinha até FOG. E eu juro por shiva e ganeshinha que quando a gente foi chegando, foi começando uma neblina, uma serração, um fumacê. Aquilo era FOG londrino puro, embora eu nunca tenha ido a Londres.

Aquela igrejinha no alto com aqueles santos todos, aquele calçamento, aquelas casinhas. Eu fui sendo tomada por uma simpatia miojo pela cidadela. Em três minutos eu já queria chamar Paranapiacaba de minha, botar no bolso e levar pra casa. E nós nem tínhamos começado a ver tudo.

Pra começar, eles têm uma réplica do Big Ben e isso é muito simbólico...

Xayme, Xoxô, Cráudio, o Big Ben e o FOG


só vendo a vista


detalhes


caminho


Foi lá que Charles Miller – ex-ferroviário – inventou o futebol – acredita-se que foi em Pa-ra-na-pi-a-ca-ba onde se jogou a primeira partida de futebol do Brasil. E nós pisamos no que pode ser um dos campos de futebol mais antigos do país, embora eu estivesse pouco me lixando porque eu não gosto de futebol mesmo e, ademais, com aquele FOG maldito dos infernos a gente não conseguia ver o campo, nem a trave, nem mesmo eu acredito que se consiga assistir uma partida ali.

Falando no FOG, ele não dá trégua. À medita que o dia cai, o nevoeiro aumenta e não se consegue enxergar mais um palmo a frente do seu nariz nem atrás da sua nuca. Daqui a pouco começa a garoar, aquela chuva que os paulistas chamam de “molhar bobo”. Você começa a ficar deprimida e achar que tem alguma coisa errada com a cidade.

Ei! Você começa a achar que aquilo só pode ser uma estratégia de marketing muito bem bolada. Alguém tem uma grande e potente máquina de fazer FOG LONDRINO eterno, que eles ligam todo dia quando começam a chegar os ônibus de turismo do ABC Paulista. Às 4 da tarde, eles ligam o botão no máximo. A gente saiu antes, mas eu aposto que às 18h30 eles desligam tudo e os moradores podem, finalmente, secar a roupa que fica o dia todo no varal tomando neblina e garoa.

A cidadela tem muito mais. Tem ruínas (meo deos, como eu adoro ruínas!), tem museuzinhos singelos cheirando a mofo e umidade, tem trilhas, tem casas e mais casas antigas, caindo aos pedaços, singelíssimas, singelésimas, decadentes (deos sabe como eu adoro a decadência de uma cidadela do interior) e malassombração.

Jayminho, eu, Cláudio, as ruínas e o FOG eterno


a casa e o FOG


os fantasmas do museu funicular se divertem


É um dos lugarzinhos no meio do nada mais encantadores que eu já conheci.
Voltamos pra São Paulo depois de muita caminhada, muita risada, quatro cervejas e uma porção de linguiça num bar-atelier coisamaisquerida, felizes, pelo engarrafamento da Anchieta, ouvindo obscuros sucessos de gente como Gretchen e Gilliard, só pra ficar na letra G.

saída estratégia pela direita!


“Rock do bom ou quem sabe jazz, som sobre som, bem mais, bem mais...
O que sai de mim vem do prazer de querer sentir o que eu não posso ter
O que faz de mim ser o que sou é gostar de ir por onde, ninguém for...” (Biafra)

TOCA RAUL!


...

Sigo em Sampa até domingo. Muito trabalho na feira de decoração, design, descolex.

...

* o título desse post é uma referência a um jingle de um comercial ANTIGO de um brinquedo ANTIGO da Estrela – chamado Big Trem – cuja letra, cantada na melodia de “Trem das 11”, eu e Cláudio sabemos to-di-nha, o que comprova que nosso cérebro é mesmo um poço sem fundo de inutilidade

# . por Joelma Terto .  1 Comentários