domingo, janeiro 18, 2009

o fogo e o combustível
- vendo a Flora pagar por todos os seus pecados, pedindo pastel de camarão pela tele-entrega
e decidindo, mais uma vez, que não vai ver a próxima novela das 8 -


"Outro enorme atrativo de morar aqui, pelo menos num primeiro momento, foi a possibilidade de horrorizar a Mãe com uma vida sem glamour, sem happenings, sem grandes galas. Inegável. Sílvia, a primeira pessoa que conheci aqui e minha amiga desde então, balança a cabeça quando digo isso, e diz que eu estou velha para esse tipo de picuinha. Penso nisso sempre e me pergunto se alguém, em algum lugar, é ou foi saudável o suficiente para ter virado um adulto que realmente superou, não apenas sua infância, mas todo seu passado. E depois lamento profundamente porque provocar a Mãe perdeu a graça."
(Fal Azevedo, em "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite")

...

Sete Sete ao computador, eu deitada no sofá lendo o capítulo "Pesto" do livro "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite" da Fal. Eu começo a chorar. Baixinho, disfarçado, livro enterrado na cara. Na primeira fungada mais forte 77 vem verificar e acudir:

- Não fica assim, meu amor... ele não morreu de verdade... é só um livro...

No winamp, Bob Dylan canta "Baby, stop crying". Juro por deus. Já eram dois, agora, me pedindo pra parar de chorar. E eu chorando cada vez mais.

Baby, please, stop crying!

- Se tu não ficar bem eu vou ser obrigado a confiscar esse livro.

Recomendação 1: leia "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite", de Fal Azevedo se você for mulher.

Recomendação 2: não leia "Minúsculos Assassinatos..." se plutão estiver entrando na casa 4 do seu mapa.

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Pet chic
"Valentina, minha cadela da raça vizsla, é como uma filha. Na última viagem a Nova York, não reisisti a estas coleirinhas da Barneys com pesponto e cores do mesmo tom da Vale. Antigamente, somente a nobreza húngara podia ter cães dessa raça"
(FOTO DAS COLEIRINHAS DA BARNEYS)

Devota
"Sou muito católica! Leio a Bíblia todos os dias, tenhos várias, uma em cada canto da casa. Esta, A Bíblia da Mulher, é uma edição voltada para o universo feminino, com dicas, casos e estudos. É dela que tiro minha sabedoria"
(FOTO DA BÍBLIA DA BULHER)

Máscara
"Demorei anos para conseguir óculos que fossem grandes como gosto, mas ao mesmo tempo leves e que não deixassem o rosto marcado. Quando encontrei este Yves Saint Laurent, comprei logo dois"
(FOTO DE APENAS UM DOS YVES SAINT LAURENT)

Meu herói
"Já fiz Gilberto, meu marido, caminhar 4km a pé na Bahia para recuperar este lenço Missoni que havia saído voando. Adoro as cores que variam de acordo com o tipo de amarração"
(FOTO DO LENÇO MISSONI)

The ring
"Este anel de safira foi o primeiro presente que meu marido me deu e praticamente já faz parte da minha mão. Uso ele com tudo, de biquíni a vestido longo"
(FOTO DO ANEL DE SAFIRA)

Momento zen
"Gosto tanto de música que tenho um iPod para cada tipo de situação. Neste está a trilha sonora das minhas aulas de ioga: Deva Premal & Miten, Krishna Das e Wah"
(FOTO DE UM IPOD COR DE ROSA)

Moderna, sim!
"Acabei de comprar uma coleção de livros do Damien Hirst com todas as obras que foram leiloadas há pouco em Londres. Minhas favoritas são as que misturam milhares de borboletas"
(FOTO DO LIVRO)


Eu estava de recesso quando fui na Banca da República comprar uma CASA VOGUE (que eu a-do-ro!). A edição estava esgotada, mas tinha essa Vogue de dezembro com a Madonna na capa e um suplemento especial sobre o ano da França no Brasil. Aí eu comprei.

Nada fazia muito sentido até chegar na página 148. Era uma matéria "lifestyle" chamada "Tradição cool": quatro páginas com o modo de ser, estar, pensar, vestir e usar de Carolina Andraus Miranda - dona das declarações acima.

Eu li, reli. Reli de novo e olhei pros lados pra ver se achava a câmera escondida: não, aquilo não era uma pegadinha. Era só a Vogue.

O suplemento sobre a França? Talvez valha pela matéria rasa sobre a Charlotte Musa de Todo Mundo Gainsbourg, uma que outra coisinha. E só. O resto: bulshitismo puro, como toda a edição da Vogue.

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Pergunta retórica da semana: o que a gente faz quando a gente se decepciona com nós mesmas?

# . por Joelma Terto .  0 Comentários