quinta-feira, julho 17, 2008

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VI

Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno príncipezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tivesse outra distração que a doçura do pôr de sol. Aprendi êsse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:
- Gosto muito de pôr de sol. Vamos ver um...
- Mas é preciso esperar...
- Esperar o quê?
- Esperar que o sol se ponha.
Tu fizeste um ar de surprêsa, e logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:
- Eu imagino sempre estar em casa!
De fato. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr de sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planêta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo tôdas as vêzes que desejavas...
- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vêzes!
E um pouco mais tarde acrescentaste:
- Quando a gente está triste demais, gosta do pôr de sol...
- Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o príncipezinho não respondeu.
"

(Meu trecho mais-que-preferido da minha edição esgualepada, amarelada & sem capa de 1966, herdada de mamãe, d`O Pequeno Príncipe, do seu Antônho de Saint-Exupéry, com tradução de Dom Marcos Barbosa. Para AnaRi, em razão de seu aniversário.)

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colorful; cozaful: amo


Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho... afe, cansei.

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(Também adoro estudantes de jornalismo ingênuos. Bobinhos.)

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Eu não tenho muita afinidade com os anos 80, aquela década de estética questionável. Por isso esse tópico serve para reparar uma grande injustiça. Se tem uma coisa boa que os anos 80 produziram foi o Eduardo Dusek. Andei revisitando sua obra (adoro dizer isso!), em uma viagem de Caxias do Sul a Porto Alegre, via Nova Petrópolis, e, pôxa vida, o cara era bom. Fez crítica social, contou ótimas histórias, quase me faz mijar de rir com seu humor cachorro e ainda fez a música mais divertida da década das ombreiras. Inclusive, eu proponho que todo mundo aprenda a letra de Barrados no Baile - uma espécie de hino impagável da chinelagem sem fronteiras - e cante junto comigo quando me encontrar numa boca livre qualquer da vida que porventura a gente seja convidado.

Clique aqui, aumente MUITO o som, respire fundo e CHORE:

"Wapa pararurará
Papapapararurá
Wapa pararurará
Papapapararurá

Ela num macacão de plástico
Ele com o corpo elástico
Pensaram em se divertir
Fizeram muito cooper, ginástica
Ligados numa muito bombástica
Aplicados prá não dormir

Ela se sentia incrível
Ele se achava apetecível
Disseram somos gente de nível
O casal vinte daqui

Mas foram barrados no baile
Tratados como maus elementos
Lá dentro rolando Bob Marley
Cá fora
Por favor, documento!

Barrados no baile
Oh! Oh!
Só viviam dando detalhe
Barrados no baile
Oh! Oh!
E meu amor, nem me fale
Mas isso é que dá
Cê querer freqüentar(2x)

Tentaram argumentar
"Somos chiques"
Ele de leve sugeriu um trambique
Lhe deram uma bofetada
Pensando que a finesse
Não importa
Ela gritou:
"Olha que arrombo essa porta"
Já levando uma pernada

O plástico e a plástica
Não são nada
Mesmo gente considerada
Saca aqui qualquer privê
É cilada
Se não for peixinho
Não nada

Barrados no baile
Oh! Oh!
Só viviam dando detalhe
Barrados no baile
Oh! Oh!
E meu amor, nem me fale
Mas isso é que dá
Cê querer freqüentar(2x)

A dupla que era chique na entrada
Amarrotada teve que "sartar"
Ainda foi vista pela madrugada
Comendo um hot-dog vulgar

Pois foram barrados no baile
Tratados como maus elementos
Lá dentro rolando Bob Marley
Cá fora
Por favor, documento!

Barrados no baile
Oh! Oh!
Só viviam dando detalhe
Barrados no baile
Oh! Oh!
E meu amor, nem me fale
Mas isso é que dá
Cê querer freqüentar(2x)

Isso é que dá! cê querer freqüentar
Isso é que dá...
"

Minha meta do mês é decorar essa letra pra fazer bonito nas serestas. Nunca falei tão sério na minha vida.

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Na vitrola, de fato, Chuck Mangione. E Nina Simone cantando "Ne Me Quite Pas".

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Todo dia eu acordo, junto as duas mãozinhas e peço: "Deos, dá-me constância".

An-rã.

# . por Joelma Terto .  0 Comentários