quinta-feira, maio 03, 2007

cor sim cor não
Enquanto vocês se divertim no feriado do dia 1º eu tava aqui na terra do barro vermelho, trabalhando feito uma vaca holandesa. Apesar de ser a maior e mais importante do país, a feira não tem uma boa estrutura física. Eu já vim preparada para o pior, tipo me embarrar na lama encarnada e usar banheiros químicos. Mas eles dizem que esse ano estão usando um negócio feito de melaço de cana no chão batido pra poeira não levantar e, parece, que está dando certo porque eu consigo sujar só até a sola da botina. O estande, vejam só, tem banheiros de verdade dentro de um container gigante que é puro luxo. E uma cafeteria.

Mas o trabalho é duro. Fucking-hard. Em contrapartida, eu e Vera já rimos tanto, mas tanto, que nem a gente sabe e entende de que ou porque a gente ri tanto. É melhor ser alegre que ser triste, diz a música. É melhor rir do que chorar, diz a sabedoria popular. Eu concordo e acordo às 6h30 da manhã dando bom dia ao dia. (Menos, Joelma!)

Aqui as pessoas te chamam de "bem" no final da frase - "Cê tá boa, bem?", "Cê já comeu, bem?", "Eu te levo, bem". E eu acho isso tão engraçado e tão irritante, às vezes, que já incorporei totalmente, bem. Aí a gente fica numa bobice, de bem pra cá, bem pra lá, de falar com os erres apeirrrrtados, meio de brincadeirinha, meio involuntariamente. E dá risada, claro.

Já conheci a Pri Tescaro, toda linda toda ruiva, que loguinho será uma migrante pras bandas do sul, igualzinho a mim. Já conheci tanta gente interessante, tanto jornalista bacana que eu conhecia só por e-mail e de falar ao telefone - e isso é legal demais da conta.

O motorista da van, seu Laércio, é uma figura impressionante. Ele não entende o que a gente faz, acha a feira uma bagunça sem fim, reclama do trabalho e insiste em ouvir música sertaneja no máximo volume. Ainda bem que eu tenho o Chico no iPobre pra me fazer companhia nessas indiadas pelo meu Brasil-il-il.

Conheci uma mulher que tem 25 fazendas, 300 tratores e 10 milhões de pés de tomate. Sim, isso me impressionou bastante e me fez pensar: mas que raios eu estou fazendo da minha vida? Não se preocupem que eu não vou largar essa vida de requinte e glamour que o jornalismo me oferece pra começar a plantar tomate, vagem, abobrinha ou pepino numa propriedade rural de Caralhinhos do Norte. Nem do sul.

Desejo imensamente voltar pra casa, mas ainda tenho pela frente três longos dias de trabalho pesado.

...

me: estamos querendo ir à Brodowski no museu do Porinari
Sete: BRADOQUE!
me: o que é bradoque?
Sete: tipo um Chuk Norris

# . por Joelma Terto .  0 Comentários