domingo, dezembro 17, 2006

semba
Eu já tinha tudo programado para o fim de semana mais quente desse verão que nem começou. Mas na sexta-feira, não sei se quando cheguei do trabalho ou quando voltamos do jantar, 77 me diz: "quem sabe a gente não faz a mudança amanhã?". A "mudança" é um projeto que ele já vinha acalentando e que, ultimamente, conseguiu me convencer: tirar micros e TV do quarto e levar pra sala.

Quarto é lugar de descanso e sala, de convivência. Só que com micros e TV no quarto, a gente vinha vivendo dentro do quarto. Acreditem: até comer no quarto, muitas vezes. Claro que entre um quarto e uma sala, deveria haver, no meio, um escritório. Mas não há. O Chamego Center é um apartamento de dois pátios e poucas peças, de modo que os micros e a TV deveriam ficar ou no quarto, lugar de descanço, como estiveram nos últimos anos, ou na sala, local de convivência.

Vocês podem até pensar que tirar micros e TV de um quarto e levar pra uma sala é tarefa simples, mas não é. É, na verdade, uma grande operação de guerra. Tudo medido e calculado. Até porque pressupõe, no nosso caso, uma troca. Para micros e TV irem pra sala, alguns móveis que estavam até então na sala, precisavam ir pro quarto.

Quando eu pedi pro 77 me explicar a logística planejada e ele começou a falar: "bem, primeiro a gente afasta esse móvel aqui, demonta aquele outro acolá, traz isso praquele canto..." eu juro que comecei a chorar. Eu chorava e ria, lembrando as inúmeras vezes que mudamos a configuração do Chamego Center e o transtorno causado. Sempre. Pior que pensar na bagunça, só pensar nos muitos prós e contras.

Então eu fui tomar banho. Quando saí encontrei 77 deitado com o olhar perdido no horizonte. Falei assim: "vai dar tudo certo, coração. Se, no final, a gente não gostar, a gente desfaz tudo". Eu estava falando sério mesmo. E comecei a dizer pra ele que meu pai, por exemplo, jamais faria essas mudanças simples e bobas dentro de casa. Porque pra muita gente da geração dos nossos pais, tudo é imutável. E eu comecei a viajar no quão bom é a gente ser assim: não ver nada, de bom e de ruim, como definitivo, de ter coragem de proporcionar pequenas mudanças no nosso cotidiano. Foi nessa hora que o 77 deu a melhor definição de nós dois: "nós somos nômades dentro da nossa própria casa".

É.

Ainda estamos em óperas e faltam alguns ajustes. Mas tá tudo ficando lindinho. Aguardem fotos em breve e a inaguração do único, exclusivo e excelente Pátio Lounge, nova e inusitada peça da mansão dos T. de Arrabéus.

(e antes que alguém pergunte, estamos sobrevivendo ao calor a base de muita água, pouca roupa e ventilador nas fuças forever. mas tá foda.)

# . por Joelma Terto .  0 Comentários