sábado, março 11, 2006

é de morder ou de chupar


Toda nossa intimidade em foto de 77 de Arrabéus, o número.


Tem uma coisa no meu dê-ene-á autenticamente nordestino e nas minhas afromoléculas. Não posso ouvir um batuque, uma zabumba, um ziriguidum mais forte que não me agüento. Uma ciranda, um coco de roda, uma crioula maranhense. Bote uma rabeca e um pífano (pífi, como diz na minha terra) que a pessoa sai de si. Eu simplesmente AMO, em caixa alta, itálico e dourado, o som desses dois instrumentos, que me remetem quase ao útero da minha mãe. Que me fazem lembrar o cheiro e o gosto da minha infância.

Pois essa semana eu ouvi muito o som dos dois. Puder ver, finalmente, show da Casa de Farinha e d'A Barca - e me apaixonar pelas duas bandas. Conhecer o Ramiro Musotto e me acabar com o DJ Dolores (a última vez que o vi foi aqui mesmo em PoA, mas há mais de 3 anos, quando ele tocou no Santander Cultural).

Desintoxiquei ouvidos e alma. E pulei e dancei e me acabei, porque eu não tô aqui pra brincadeira.

Ontem à noite, voltando pra casa depois do show, a propósito daquele coco que fala em "cabelo a pirulito", explicava pro Sete Sete e pra Drica umas palavrinhas e expressões alagoanas. Eles aprenderam que pirulito lá nas Alagoas é "pelota", bala é "confeito" e bexiga ou balão é "bola de assopro". Já combinamos: na próxima aula, vou ensinar o emprego correto do "né não?" no final das frases.

...

Tou indo amanhã pra cidade de nome mais afudê do Rio Grande do Sul. Vocês sabem: Não-Me-Toque, com seus hífens, sua internet à manivela e tudo mais. Trabalho, trabalho. Será uma longa, cansativa e interminável semana, tenham certeza.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários