terça-feira, dezembro 27, 2005

Ho


self portrait tuesday de Natal ou "brincando nada, treinando!"


Finalmente passou o Natal e essa carreira desabalada das pessoas atrás de presentes. Ok, o assunto tá mais que passado e todo mundo já falou. Inclusive a Ticcia e a Lili falaram exatamente o que eu acho sobre isso. Essa obrigação de se presentear é o que me incomoda. Pra mim existem duas ocasiões para se presentear quem a gente gosta: a primeira é aniversário. Aniversário sem presente não eras. A segunda é quando você vê alguma coisa que é a cara daquela pessoa e você vai lá e compra, assim, sem data nenhuma especial. Essas datas criadas pelo mercado pra vender é a coisa mais out que existe.

Eu e o 77 não nos presenteamos no Natal e eu acho isso muito saudável. Nós dois mais o Vaz e a Fran boicotamos, mais uma vez, o amigo-secreto da família. E eu acho isso divertidíssimo, apesar de amar cada pessoa da família desses dois e de ter me divertido, mais ainda, na noite de Natal, avacalhando (de brincadeirinha!) o amigo-secreto familiar.

Outra coisa que eu gostaria de ter dito sobre Natal, o nosso querido Fábio disse muito bem na sua coluna do Diário Catarinense do último dia 17. Só ontem eu li e pensei: é disso que eu tô há horas falando. Ele comenta o absurdo da raça humana em criar um ser mitológico que sai por aí, uma vez por ano, distribuindo presentes. E ainda fazer com suas crianças acreditem nesse ser. Sim, eu acho um absurdo a criatura ralar pra caramba pra comprar um baita presente pro filho e dizer que foi obra do Papai Noel. Esse sujeito, na minha infância, era um grande injusto: como assim eu nunca ganhava o que eu queria muito e sabia que merecia? Como? Esse é um assunto muito em pauta na minha vida e foi pertinentíssimo durante esse ano, com o nascimento da Valentina. A mãe dela falava em magia de natal, essas coisas. Eu continuo defendendo meu ponto de vista em detrimento dessa tal magia. Mas eu sei que não é assim, fácil, afinal as crianças vivem numa sociedade onde papai noel e coelhinho da páscoa realmente existem e não dá pra pra sair, assim, do esquemão, impune. Enfim, muito pano pra manga.

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Aproveitando o post. Só ontem eu fiquei sabendo da morte de um tio querido, antes do Natal. O tio Luis é irmão do meu pai, morava no Rio de Janeiro desde sempre e estava com diabetes - assim como meu avô e meu outro tio que se foi nesses últimos anos. Eu, que já ando à flor da pele, fiquei triste, triste, triste. Apesar de não conviver com ele, tenho um carinho enorme pela pessoa e as melhores lembranças de momentos da minha infância com ele quando ia, de férias, para as Alagoas. Era um sujeito, acima de qualquer coisa, divertido e engraçado. E isso, pra mim, é uma qualidade e tanto. Chorei, chorei e continuei chorando durante todo o jornal Nacional, que me maltratou no primeiro bloco - chorei com a recém-nascida encontrada numa plantação de alguma coisa e com queimaduras do sol, com a mãe que reencontrou o filho mais de 60 anos depois, com o menino que passou sete dias num poço. Chorei. Não pela morte, o fim, enfim. Chorei porque pensei que ele podia viver mais, ver o netinho crescer. Chorei porque a morte dele me fez pensar no tempo, que passa, e que daqui a pouco os que amo também podem não estar mais aqui, pra dar um carinho, conversar, fazer um afago. Chorei porque há tempos eu queria tanto tanto revê-lo e fazia planos de ir ao Rio, de novo, e que dessa vez eu iria em Santa Tereza fazer a visita que não fiz quando fui à cidade maravilhosa em 1999 e só falei com ele por telefone.

Também pensei um pouco na loucura que é não ser mais uma criança que acreditava em papai noel. Sim, eu acho muito estranho ser gente grande. E nisso de, daqui a pouco, não estar mais aqui.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários