segunda-feira, dezembro 26, 2005

entre parênteses

Talvez nos últimos tempos eu não tenha usado esse espaço aqui pra falar sério ou sobre coisas sérias. Mas eu queria pedir licença a mim mesma pra contar uma coisa pra vocês. Porque, sei lá. Talvez eu saiba que a maioria das pessoas que vêem até aqui são minhas amigas e que gostam de mim ou se interessam pelo que passo, sinto e penso.

Esse ano minha mãe veio, finalmente, me visitar, depois de 6 anos que moro em Porto Alegre. Ela acabou ficando um tempão aqui e há mais de um mês caiu, lá em casa, e fraturou o punho. Ela foi atendida aqui e voltou pra Maceió na semana passada, com o braço ainda engessado. Ela viajou na terça e, na quinta última, foi para o hospital com a mão muito inchada e com dor. Fez duas cirurgias de emergência, está com pinos no braço e está se recuperando, em casa, sendo cuidada pela mãe dela, minha vó amada.

Negócio é que isso mexeu muitíssimo comigo. Eu sei que ela está bem e que vai ficar bem, mas eu estou muito triste. Fiquei arrasada mesmo na quinta-feira, quando soube de tudo. Fiquei atônita. Entre as coisas que pensei, lembrei do motivo que ela veio pra cá: cuidar de mim porque eu ia fazer uma cirurgia, a primeira de toda a minha vida e eu estava com muito medo. Ela veio, cuidou, cuidou de verdade. E agora ela volta direto para duas cirurgias e eu não estou lá pra fazer qualquer coisa que seja. Não é um sentimento de culpa, mas de impotência. E, de certa forma, um pouco de negligência, pois eu não consegui ver que tinha alguma coisa errada com o braço dela quando ela ainda estava aqui. Enfim.

Eu sei que ela vai ficar bem, que vai se recuperar, mas eu não vou ficar menos preocupada até o tempo passar e eu ver que está realmente tudo bem. Talvez eu tenha muito medo em pensar em uma possível seqüela ou no nível dessa possível seqüela, e que isso faça com que eu fique ainda mais preocupada. E, nesse momento de fim de ano e festas, eu só queria dividir um pouquinho isso com vocês. E dizer que eu estou triste sim, mexida sim, melancólica sim, chorando no cantinho a qualquer hora, assim, fácil fácil. Mas que vai passar. Loguinho. E que tudo tudo tudo vai ficar bem.

# . por Joelma Terto .  0 Comentários