terça-feira, outubro 04, 2005

Filhos?

Foi a CRAW, nos comentários abaixo, que deu a dica. Disse que lembrou de mim com esse texto da Silvia Pilz no nominimo. Quem me conhece bem de pertinho sabe: tenho 28 e nenhuma vontade de procriar. E é claro que me identifiquei muito com a reportagem. Bela reportagem, diga-se. Eles são ótimos e fofos, mas não os quero e ponto. Simples assim. Também não consigo entender a motivação do resto da humanidade que deseja tanto ter um filho. Mas isso já é outra história, fruto da minha racionalização exagerada em cima de coisas subjetivas e que, de maneira nenhuma, devem ser racionalizadas. E sim, mesmo incompreendendo, respeito o restante da humanidade. Por isso ela também devia respeitar quem pensa e deseja diferente. Enfim. Leiam o texto. É muito interessante. Eu sublinharia várias coisas com as quais me identifiquei muito, mas, simbolicamente, transcrevo abaixo três passagens que resumem um pouco do que penso também.

E viva Simone de Beauvoir!

Que mulher já não teve vergonha de assumir em público que não sente vontade de gerar um bebê? A ?platéia? sempre reage mal e não falta quem faça a pergunta um tanto imbecil: ?Por quê? Você não gosta de crianças?? É constrangedor e irritante. Procriar virou uma imposição da sociedade. Optar por não ter filhos é quase um crime.
Mas a tendência é crescente ? e parece irreversível.


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?Não consigo deixar de pensar num bebê sem levar em conta as despesas e responsabilidades que ele traz.? E, pensando assim, não escapa do preconceito: ?Por várias vezes, me vejo dando satisfações em relação à minha opção de não ter filhos. As pessoas sempre fazem uma cara de espanto?, conta.
Tatiana Pignatari, 33, economista, casada há 8 anos com

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Parece que o culto à hereditariedade impõe uma cegueira. Mal nos importamos com a ameaça à sobrevivência de milhões de exemplares da nossa raça nem com a superpopulação que afeta a qualidade de vida na Terra. Queremos nossos filhos. A contradição chegou ao ponto de casais incapazes de gerar uma criança recorrerem a milagres científicos para ter filhos. Desconsideram a possibilidade de uma adoção ? que poderia ajudar a salvar um semelhante ? e a situação de ?lotação esgotada? na qual vivemos. Trigêmeos e quadrigêmeos fabricados através de um processo induzido, à base de medicações e muita perseverança, estão aí para contar essa história.


(Melhor não tê-los)

# . por Joelma Terto .  0 Comentários