quarta-feira, outubro 06, 2004

sayonara, banca 03

cuscuz (o plural é cuscuzes. eu acho)
O cuscuz nordestino é uma massa de milho (usa-se o fubá) temperado com sal, cozido no vapor de água e depois umedecido com leite de coco - com ou sem açúcar. Cuscuz com manteiga é prato matinal ou da ceia da noite; dissolvido no leite de vaca é uma "sopinha" gostosa.
Fonte: cwww.usp.br/coseas/jornal_p8.html

tapioca
A tapioca é feita com goma, uma espécie de farinha extraída da mandioca também conhecida como polvilho ou farinha de tapioca. É mais uma herança dos índios, que já na época do descobrimento, ensinaram aos portugueses a retirar da mandioca o amido. A versatilidade dos ''tapioqueiros'' tem rendido receitas diversas, tanto doces quanto salgadas. Pode ser servida com manteiga, queijo, requeijão, carne-de-sol, caranguejo, frango, enfim, tudo de acordo com a criatividade de quem faz.
Fonte: www.noolhar.com/opovo/turismo/378496.html

canjica - versão resumida
É um dos pratos típicos do ciclo junino. De consistência cremosa, a canjica é preparada com milho verde ralado, açúcar e leite de coco. É servida polvilhada com canela. É conhecida no Sul do País como curau.
Fonte: www.guiapernambuco.com.br/eventuais/comidastipicas.shtml

canjica - versão aditivada totalmente excelente e lost way no final
Nome derivado do africano canjica, no idioma quimbundo. Creme consistente, preparado com milho verde ralado, coco e especiarias, quase uma gelatina, que pode ser cortada. Em São Paulo, Mato Grosso e Goiás é conhecida como curau. No Rio, como coral e canjiquinha. No nordeste inteiro é canjica, muito consumido nas festas juninas. Em algumas regiões é chamada de jimbelê. Em alguns lugares de Minas Gerais é chamada de piruruca ou pururuca, confundindo-se com a pururuca da pele de porco. V. munguzá e canjiquinha também é um prato de carnes salgadas piladas junto com farinha de mandioca, comum na região amazônica, lembra paçoca de carne. V. paçoca.
Fonte: PRATOS TÍPICOS CONCEIÇÃO DO COITÉ

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Foi esse o menu servido na noite de sábado aqui em casa. Também teve QUEIJO DE COALHO, importado de Pernambuco, por Tia Teca, mãe de Leo Lacca, nosso ilustre hóspede cineasta de um mês atrás.

Depois de um dia inteiro orientando Iracema, a faxineira, a botar a casa em ordem, abrimos a mansão para os amigos mais chegados e lá fui eu pra cozinha.

Foi bonito de se ver. Eu parecia uma índia, ACOCADA no chão, peneirando GOMA pras tapiocas. Há uns dias a Rafa perguntou "Como é que tu faz tapioca?". Eu respondi algo do tipo "Como assim, EU?". Confesso que nunca tinha feito os BEIJUZINHOS por mim própria e com minhas próprias patinhas antes. Já tinha visto, óvbio. E uma hora antes de começar a função, liguei pra minha mamãe, que me deu todas as dicas e desejou sorte. Ela também deu uma idéia esdrúxula: comprar MACAXEIRA pra fazer uns cuscuz(es), coisa que jamais na minha vida eu teria pensado, porque isso dá um trabalho do cão.

Mas enfim. O que importa é que foi uma noite das mais agradáveis, à luz dos abajures, com os amigos, comendo coisinhas típicas da minha terra, feitas por mim. Me senti uma MÂE, alimentando aquela gente querida que se empanturrava enquanto não parava de me perguntar "como faz isso?", "e isso?", "e depois, o que tu faz?", "como é que essa farinha se junta e vira isso?". Sim, foi lindo. Inesquecível. Deu tudo bem certinho no final e todo mundo gostou do cardápio, inclusive ele, que elogiou publicamente a minha performance, an-ham.

Mas o melhor mesmo é poder receber as pessoas queridas em casa, rever umas pessoinha que há tempos não via, se divertir um tanto e morrer de rir contando histórias e falando da campanha eleitoral.

Rolaram até umas idéias comerciais absurdas do tipo abrir uma banquinha na República com o letreiro "Jo da Tapioca". Eu podia até inovar fazendo tapioca-hot-dog: "Jo da Tapioca junta o que todo mundo gosta com o que ninguém conhece". Ahhh, como somos criativos... (oquei).

Viva a Laurinha, Tia Drica, Rafinha, Backbone, Tiaguitous, Erica e Vegê, Mimix e Umberto, por terem vindo. E o 77, por estar sempre aqui.

Viva a culinária nordestina. E que venham outras noites tão divertidas como essa.

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da série "Bloco Mágico" (copyleftado da Rafa) da noite - essas pessoas queridas e suas incríveis definições:

"(...) paõzinho árabe do sertão!" (tapioca, segundo Erica Kawamoto, a nipogermânica-brasileira)

"Isso é tudo o que aqueles flan de caixinha querem ser e não conseguem." (77 de Arrabéus, sobre a canjica)

"É tipo um polenta de engordar porco" (ou coisa parecida. Vegê, divagando sobre o cuscuz)

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"Goxtosa, quentinha, tapioca..." (Chico Buarque)



# . por Joelma Terto .  0 Comentários