domingo, agosto 29, 2004

o suicida


"(...) E diante e em redor de Alexandre Viana só havia palavras. As próprias pessoas, despojadas do que nelas havia de humano, mudavam-se em palavras e congestionavam o seu espírito. Chovia - era uma chuva de palavras. Ventava - era um vento de palavras. O mundo não era feito de céus, nuvens, cidades, engenhos de rapadura, portos, represas, jardins, carroças, ruas, usinas, casas, homens. Era feito só e exclusivamente de palavras - e o povo falava palavras. Até as pedras das ruas de Maceió eram feitas de palavras. Alexandre Viana comia palavras, dormia palavras, trabalhava palavras. E se sentia mais solitário do que nunca, como se a própria arma que se desenhava diante de seu olhar se fosse converter numa palavra. Rio. Canavieiras. Ilhéus. Salvador. Aracaju. Recife. João Pessoa." (Lêdo Ivo, in Ninho de Cobras)

...

(...)


# . por Joelma Terto .  0 Comentários