quinta-feira, junho 19, 2003

Da série “Nossa Coisa Velha e Carcomida” ou "Comida de Traça", escritos de 1999

Muitas coisas que quero escrever e postar. Mas hoje, feriado, umas coisas velhas e carcomidas.

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Uma tentativa frustrada de conto.

Sozinha em casa. Quarto-túmulo. Nenhum som. Se ela se concentrasse só um pouquinho, poderia ouvir o barulho da grama crescendo. Mas, naquela hora, queria ser surda, muda. Não queria existir. Ela queria ser a grama.

- Por que? – Pergunta ao espelho.

Começa a gritar, olhando o espelho, quebrando o silêncio do quarto, da sala, da casa. Arrebentando o tímpano da mãe, que estava longe.

- Por que? Me diz!

- Porque sim. – falou o espelho, pendurado na porta.

Ela preferia achar que não tinha ouvido nada. Ora, espelhos não falam! Aquilo era só uma peça que lhe pregava a imaginação fértil.

- Vai ficar aí, me olhando? – pergunta o espelho.

Atordoada, teve medo. O espelho falou? Estaria ficando louca? O medo era maior que tudo, que seu orgulho, que sua vaidade.

“O que faço agora?” Perguntou ao espelho.

- Não tente fugir de si mesma.

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Um pequena e mui singela tentativa de viagem de ego. Frustrada.

Faz sol. Mas sinto falta do calor. O calor da vida toda. A vida inteira e bum. Muda tudo. O frio me faz sentir em outro mundo. Mas estou mesmo em outro mundo. Longe. Tão longe, que chega a parecer que não estou em lugar nenhum. O verde penetra a retina. No fim, o azul e o branco. Ao longe, o colorido.

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Joelma T.
Três Coroas-RS
Out/1999

# . por Joelma Terto .  0 Comentários