quarta-feira, junho 18, 2003

AZUL
(Gustavo Lisboa)

Azul-cobalto
azul-celeste
azul de salto
azul de peste

azul de fome
azul sem nome

azul assim azul
azul nada azul
azul quase azul
azul toda azul

azul inconteste
azul que não és
azul que me deste
azul das marés

azul do sul
azul da noite
azul azul azul
azul de pernoite

azul-amianto
azul de espanto
azul-radiação
azul-turmalina
azul de retina
azul de chão

Meu corpo se fendeu
azul de breu
azul de ser meu
teu azul não sou eu

Tua alma é azul
teu corpo também
olho bem azul
que não vejo bem

Azul azul azul
mar azul azul de mar
azul azul azul
onde o azul, onde o mar?


tudo azul

AZUL – Poemas Dispersos
Santa Maria – Porto Alegre – Rio de Janeiro – Brasília – Belo Horizonte (1978 – 2003)
...

Os versos, deliciosamente azuis, são do poeta Gustavo Lisboa. Li um poema dele, uma vez, no Walkwoman e deixei um comentário, curiosa por conhecer mais.

Eis que ontem, o próprio Guto me mando um e-mail deveras singelinho, pedindo permissão para me "ofertar o AZUL todinho". 72 páginas de poesia. Lindos poemas: “A versão definitiva de AZUL, depois de 13 anos montando-o e remontando-o. Para serem publicados (se os deuses me forem favoráveis).”

Serão, Guto. :)

Obrigada pelo lindo presente. Gostei demais. E torço para logo logo receber o convite da noite de autógrafos. Sucesso!

p.s.: a flor azul, com um quê de ondas do mar, que ilustra esse post é mais um oferecimento do meu floricultor virtual.

# . por Joelma Terto .  0 Comentários