quinta-feira, maio 29, 2003

Variação sobre o mesmo tema?

Engatando no assunto, outro dia estava lendo aquele livrinho do Vinícius de Moraes, “A mulher e o Signo”. Vejam o que ele diz sobre nós:

Sagitário
De 22 de novembro a 21 de dezembro

As mulheres sagitarianas
São abnegadas e bacanas
Mas não lhe venham com grossuras
Nem injustiças ou censuras
Porque ela custa mas se esquenta
E pode ser muito violenta!
Aí, o homem que se cuide...
- Também, quem gosta de censura!


 white

Da primeira vez que li fiquei indignada com o Vinícius: pô, qual é a do cara? Fala umas coisas massa de outras mulheres e quando vem falar de nós, diz só isso aí?

Depois, pensando melhor, acho que me identifiquei sim. Sagitarianas são bacanas, são justas e, realmente, não gostam de censura mesmo. Acho que porque prezamos muito nossa liberdade e abominamos o que nos tolhe. Sobre ser “muito” violenta, acho que ele exagerou. A gente gosta de dar umas porradinhas, de vez em quando, mas de leve, hehehe (eu preciso dizer que isso é uma piada?). Acho que ele deve ter apanhado de alguma sagitariana abusada das quebradas.

Assim que li o poema, discordei totalmente do “abnegada”.

Meu egoísmo latejante manda o tempo todo que eu me satisfaça antes de qualquer coisa, apesar de sentir um enorme prazer em satisfazer o outro. (Contraditório, não? Taí um adjetivo que esqueceram de mencionar). Muito embora não chegue a prejudicar ninguém e seja mecanismo de defesa (auto-suficiência, diria).

Mas, depois, pesando bem, comecei a concordar, em alguns aspectos.

Buscando o sentido mais profundo e não-estigmatizado de abnegado, eu me identifico sim. Não a abnegação no sentido de anulação, mas de altruísmo mesmo. Eu digo que sou egoísta (e tenho sido mesmo, quase sempre), mas acho que por ter algumas características fortes, como a generosidade e o senso de justiça (tsá, meu ascendente é libra, mas enfim) eu já me vi, algumas vezes, renunciando a algo pelo(s) outro(s): amigos, amores, família.

Aliás, no meu caso, de todas as vezes que eu NÃO segui esse preceito filantrópico da abnegação, fiz muito melhor a mim. Contradições mil, mas enfim.

É espinhento e machuca. Mas tem sido assim.

Abnegadas egoístas? Abnegada egoísta? Não sei vocês, falo por mim. Por mim só, por mim, só. E também não sei se hoje, agora, eu não estou vendo as coisas de forma deturpada. Mas também, não quero entrar em paranóia desnecessária, até porque ninguém ia entender picas mesmo.

E se alguém não entender nada do que eu escrevi ou entender completamente errado, não tem problema. Porque seria fácil falar, mas como andei dizendo há um tempo atrás, eu prefiro sentir. É mais simples do que tentar se explicar. (e eu juro que já não sei mais o que tô dizendo).

Mas cada caso é um caso. Minha história não serve de parâmetro pra ninguém e é muito diferente das histórias de outras sagitarianas que me cercam. Mas conhecendo cada uma, como conheço, posso dizer que identifico isso (a abnegação) em muitas de vocês, de forma bela e singela. Sejamos abnegadas, mas também saibamos dizer não, quando for pra dizer. Saibamos se egoístas, na medida certa.

# . por Joelma Terto .  0 Comentários