quarta-feira, abril 16, 2003

o jeito mais rápido de ir pra Glória é pegando o Intendente

E hoje (ainda? pra mim é) é terça antes da quarta e depois da segunda, que foi maluca e teve show da Bataclã F.C.. Sem ânimo pra festa, mas muita vontade de ver o show. Muito frio não fazia, mas havia uma preguiça, uma dor nas costas.

- Sem vontade de ir.
- Sabe que eu vim mesmo só porque já tinha combinado contigo. Achei que se dissesse isso tu ia ficar chateada.
- E eu pensei exatamente isso, que tu iria se chatear se eu desistisse.
- (...)
- Vamo não? Vamo abrir um vinho e ficar aqui?
- Anrã. Isso. Massa.
- (...)
- (...)
- Ah, quer saber? Vamo!

Abertura d’Os Subtropicais. Apesar do corpo mole, quando o sopapo começou a bater, não havia outra escolha a não ser levantar e dançar. Até porque, se ficasse parada perigava não levantar nunca mais da cadeira ou vir alguém perguntar se estaria eu doente.

Acho que só agora me rendo totalmente à Bataclã F.C., banda gaúcha que sempre me lembrou muito o som que fazia Chico Science. Show em comemoração aos 6 anos da banda, com convidados e tudo (Adriana Deffenti e Marisa Rotemberg, ganhadoras do Troféu Açorianos 2002, numa homenagem ao malandro, de Chico). Pusta show. O último que vi, foi do lançamento do cd há uns meses atrás. De brinde: belas projeção do Teatro Lumbra*, um trabalho muito bom de teatro de sombras.

Não sei falar sobre música ou cinema ou teatro ou literatura. Ainda bem que não trabalho em caderno cultural de jornal diário, senão tava fudida. Não sei. Não sei conceituar as coisas. Problema fudido com a razão. Só sei dizer que é bom o que sinto que gosto e que não é legal o que não me emociona. À base de emoção pura: é assim que funciona.

Daí que esse texto é pra dizer que valeu a pena sair de casa e ver esse show porque: esse som é muito bom. E o máximo que eu consigo dizer é que lembra sim alguma coisa do Chico Science, bebe da fonte do mangue beat (inclusive eles tocaram Samba Makossa e no final, um super-mega medley, com várias músicas do grupo pernambucano). Só que um CS portoalegrês. Uma levada urbana, um som com suíngue, com ginga, com elementos de hip hop e com letras bem sacadas, que tratam sobre temáticas daqui, como o Guaíba, os bairros periféricos e as agruras dos trabalhadores urbanos marginalizados. Além de um sutil resgate da cultura afro-gaúcha (essa sim marginalizada e esquecida ao extremo).

Vale muito conhecer. E torço horrores que eles consigam expandir os horizontes e que a indústria cultural/musical do RS consiga exportar esse tipo de trabalho realmente relevante que é feito aqui, em contraposição a coisas como BoB ou Cachorro Grande, que, vamos combinar, não dá pra querer.







“só cuida do meu coração eu peço
ele bate gigante forte
como um maracanã batendo firme
surdo de primeira e baque de corte”
(Bataclã F.C.)

...

* sobre o Teatro Lumbra, eles estão em cartaz com a peça infantil Sacy Pererê - A Lenda da Meia Noite até o próximo final de semana, no Teatro de Câmara Túlio Piva (Porto Alegre). Já vi, adorei e recomendo. Teatro de sombras é um trabalho muito lindo. Inclusive vai rolar um festival de teatro de graça no próximo findi, no Renascença e eles estarão lá. Se ficar sabendo mais detalhes, conto aqui.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários