quinta-feira, abril 24, 2003

chacka chacka na buchacka

Esses dias de feriado em Porto Alegre, a princípio sozinha, cuidando de TOM TOM foram bem legais. Aquilo que comentei de me sentir útil a um felino e talicoisa. Se bem que, no final, o bichano já tava meio histérico, com saudade da mãe. Eu acho.

Uma das experiências inéditas que tive, além de “cuidar” do bicho, foi: comer ração de gato. Putz, eu me presto a essas coisas. E vou te dizer: é ruim pracaralhos. Não repetirei a experiência. Prometo.

Então, o lance é que eu ia lá na casa da Ladie e, enquanto lavava minhas roupas na máquina dela e usava a adsl, aproveitei pra fuçar nuns vinis e achei uma raridade: um disco d’Os Três Patinhos, de 1980. Alguém lembra disso?!?

Pois eu lembro, já que os tais Três Patinhos marcaram profundamente a minha infância. Lá vai eu ouvir o disco. E, por deus do céu, o que diabos é aquilo?

Tô pra dizer que é uma das bizarrices mais trashs de todos os tempos. O repertório é algo. Como pode um disco voltado ao público infantil incluir hits como: Freak Le Boom Boom (é, aquele mesmo, sucesso absoluto da Gretchen, nos anos 80), Severina Xique Xique (do mestre bagaceiro Genival Lacerda: “ele tá de olho é na butique dela”) e É Mais Embaixo? E olha outros títulos do bolachão: Don´t Push, Dance, Dance, Dance e Boogie Boogie.

Mas, pior de tudo é a impagável CHACKA-CHACKA. Essa música é algo inacreditável. Pra vocês terem uma idéia, eu me prestei a transcrever a letra. Ó só:

Chacka-chacka, chacka-chacka, chacka-chacka, chacka-chacka (umas mil vezes)
(daí entram uns gemidos e começa a música:)
Oh, I love you baby
Ti quiero si
I need you baby
Ti quiero si
I like you baby
Chacka-cka, chacka-cka
Oh yes! Oh yes!
Oh l’amour
Kiss me, kiss me
Touch me, touch me
Yeah!!!
Don’t stop
Oh yes!!!

(e começa tudo de novo)

Eu juro que fiquei estarrecida quando ouvi essa música. Cara, eu era apenas uma criança inocente quando ouvia esse disco infinitamente na casa da minha priminha, lá no interior das alagoas! Só que, na época, é claro que a gente não entendia nada e não tinha nem idéia do conteúdo erótico-bagaceiro.

Fuçando no google eu descobri que o produtor dos Três Patinhos era, nada menos, que o próprio homem por trás (pela frente, de ladinho) da rainha do rebolado Gretchen. Um tal de TIO SAM. Tá explicado.

No meio de toda a bagaceirada, uma música só se salva uma música, que destoa totalmente do contexto: Ser Criança é Ser Feliz (“eu quero voltar a ser criança, pra ser feliz outra vez...”)

O que é que esse cara tinha na cabeça pra fazer um disco desse pra criança? Merda? É por isso que a minha geração é toda pervertida. Eu tenho certeza que esse troço entrou nos nossos subconscientes da pior forma possível. Vai dizer.

Tem horas que eu tenho medo, muito medo da humanidade.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários