quarta-feira, março 05, 2003

o homem que acreditava

eu posso falar do caio? puxa. tem um monte de coisas se passando aqui dentro. por causa do caio. porque, cada linha que eu leio, entro em transe. cada linha me faz pensar em: MUITAS COISAS. cada linha me faz pensar em 1)mim (muito). em 2)você. que não existe. você, que não existe. você que não existe. (você não existe).

[não. eu queria falar muito mais sobre o caio. mas, agora, não consigo. consigo pensar sobre e entender. tudo. o que ele sentia. o que sinto. que é tão parecido. tão igual, sometimes. mas não consigo, ou não quero, agora, botar no papel. sua intensidade. sua dor. sua alegria. seus extremos. faz calor. mas sinto frio.]

daí eu pego o momento presente e. o tomo nas mãos com extremo cuidado. o contemplo. e tenho tanto, mas tanto medo que quebre...

(quero flores. já não me bastam os infinitos GIRASSÓIS amarelos que não acabam nunca. as rosas de plástico meio desbotadas. as tulipas coloridas em cima do armário. quero tanto. talvez uma azaléia. uma begônia. talvez.)

mas se chover, chover muito, ouso um barquinho de papel. descendo pela sarjeta até achar...

daqui, da cidade dos entretons, eu penso compreender ainda mais. pareço estar repetindo alguma coisa que não sei exatamente o que é. mas tem algo a ver com: morar no Menino Deus. “Moro no Menino Deus, do qual Porto Alegre é apenas o que há em volta”, disse ele. e relembrou os versos do caetano (“um porto alegre é bem mais que seguro”). e eu penso em portos, em partidas e chegadas. em raízes. que não tem razões ou motivos de existir. mas existem. penso ainda em camus, na clarice, na lygia. lembro da macabéa. faço associações e dissociações. me retalho em pedaços miúdos. depois me recomponho. mas, parece, fica sempre alguma coisa faltando.

...

ouço o rappa mundi e penso “por que as coisas chegam (ou voltam) sempre no momento certo?”. mas não preciso de respostas.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários