segunda-feira, março 24, 2003

“até que a morte os separe”

Incrível que as pessoas ainda casam, né? Digo casar mesmo: igreja, padre, vestido, véu e outros adereços e alegorias. Eu estava pensando nisso tudo porque ontem (domingo) foi casamento de uma prima. Um ano mais nova que eu. Ela vem passar lua de mel em Gramado e amanhã tô indo encontra-la com o seu, ãhn, marido, no aeroporto. Talvez role até passar um dia lá. Isso, claro, se eu não for atrapalhar a lua de mel, né?

Daí eu fiquei pensando: que é essa coisa de casamento é um troço cada vez mais distante de mim. Eu acho esse negócio de casar em igreja uma palhaçada sem tamanho. Fazer juras de amor e fidelidade eternos* através de um padre. Eu lembro que quando era adolescente eu já tinha pavor a isso e ficava pensando como era que eu ia me livrar disso. Sim, porque eu queria casar, mas de forma alguma em igreja, e achava que meu pai nunca aceitaria que eu não me casasse (apesar dele dizer também que quando eu me casasse ele não iria vestir terno e gravata porque isso ele não faria nunca e não fez nem no casamento dele. Mentira: foi todo lindo e engravatado pra minha formatura, porque tinha que ser).

Já casar, no sentido de “conjunção carnal” mess, eu ainda acho que é uma coisa que vou experimentar. Mas, quando aparecer alguém que queira ficar comigo de uma forma tão intensa quanto eu esteja querendo, resolvo rapidinho: é só ir morar junto e pronto. Sem essa de família toda em volta e bolo de marzipã. Rituais até são legais, celebração festiva. Uma churrascada pros amigos mais chegados, pra comemorar (celebrar) um momento legal e importante na vida dos dois (como aniversário, formatura) e era isso. Sem esses balangandans. Se bem que a minha tia passou a vida inteira dizendo isso, e fez justamente o contrário. Feliz da vida, véu, grinalda (palavrinha mais estranha, né?), buquê, orquestra e bufê pra sei-lá-quantos convidados. Vai entender. Mas, eu acho muito difícil mudar meus conceitos.

E eu nem me preocupo mais com família hoje em dia. Acho que eles (pai e mãe) não fariam nenhuma questão por essas formalidades imbecis. E que se eu decidir hoje, juntar os trapos com alguém, eles iam ficar meio decepcionados (afinal, todos os meus mil e duzentos primos casaram bonitinho, na igreja, e eu seria a única, ovelha negra), mas iam aceitar. Até porque estão bem longe e, afinal, eu já não sou bem grandinha (não necessariamente, mas vocês entenderam).

Isso tudo também me levou a pensar nisso aí. Juntar os trapos com alguém. É que eu ando num momento tão individualista e egoísta da minha vida, que acho que seria meio difícil dividir meu espaço com alguém de novo. Falo qualquer pessoa mesmo, amigo até (ou principalmente). Por outro lado, acho que seria legal. Seria uma forma justamente de atenuar a minha intolerância para com o outro, reaprender a conviver com outra pessoa. Coisa mais boba o que tô escrevendo, já que não tem outro nenhum por agora. Mas eu acho que preciso passar por uma experiência dessa pra ver como é.

...

A propósito, curiosidade familiar: meus pais casaram na igreja. Mas minha mãe usava, na ocasião, calça jeans e blusa. Minha avó (paterna), que não aprovava o casamento, deu chá de sumiço no vestido de noiva da minha mãe, que não se intimidou e foi pra igreja do jeito que estava. Pena que não tenha nenhuma foto do evento...

* até porque amor eterno não existe. O amor acaba, namoros acabam, casamentos acabam. Mas isso é assunto pra outro post. Ou não, porque não vale a pena falar sobre isso. Só que eu também acredito em intensidade, então, meus caros, se tu passa 5 anos com alguém e foi bom e intenso, mas chegou ao fim, é só dar aquele belo banzai, ir cada um pro seu canto, e logo arrumar um novo amor, que inevitavelmente (ou não) vai acabar um dia. E por aí vai. Mas o que diabos eu tô falando, heim? E por que eu tô escrevendo essas coisas? Acho que é pela mesma associação que eu faço com casamento e gravidez. Quando eu vejo uma mulher (amiga, sei lá) grávida, ao invés de achar lindo e ficar feliz, eu penso: “ó, pobre! Vai ficar inchada depois parir depois vai continuar inchada e cheia de leite saindo pelos poros e estrias e depois trocar fralda suja de cocô e não vai dormir a noite toda porque a criança vai ficar berrando berrando berrando às 4 da manhã e vai ter cólicas e vai golfar (nota: “golfar” é boa”) e chorar ainda mais e mais e mais e ter fome e cagar de novo e lá vai ela trocar a fralda”. Putz. Eu, fora. Mas, é como eu sempre digo: sempre é hora de rever os conceitos.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários