terça-feira, fevereiro 11, 2003

Nunca esqueça, baby, deus é naja

Socorro
(Arnaldo Antunes)

Socorro, eu não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais para chorar, nem para rir

Socorro, alguma alma mesmo que penada
me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor
já não sinto nada

Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta? Tem tanto sentimento
Deve ter alguma que sirva

Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto mais nada.


...

é que eu vinha voltando, com essa música na cabeça-êça-êça... assim, ó: “socorro, alguém me dê um coração...” e tinha uma velha gorda do meu lado. tri querida. Mas que ocupava três espaços e eu lá espremida... e eu fiquei vendo o céu, a estrada, umas árvores, muitos raios saindo do céu. Até tentar pegar no sono... depois achei que ia ver o sol nascer. Sem sol. Tudo meio esquisito por aqui. Choveu, né? Eu sei que foi bom. Tempestades no final...eu achei que não haveria. Eu me engano, às vezes quase sempre, com relação às 1)COISAS 2)VIDA 3)PESSOAS. Eu me engano com relação ao que sinto. Agora já não sei se sinto. É uma profusão de falta de 1)sentidos 2)qualquer coisa que se sinta. Um oco. O que sobrou de. Mas tudo bem, meu bem. Tudo zen. Até porque agora eu tenho o Caio comigo. Caio F. e suas pequenas epifanias, que me fazem tentar acreditar de novo que tudo tudo tudo voltará a brilhar por aqui. “Tem tanto sentimento, deve ter algum que sirva”. Qualquer coisa. Qualquer um.


# . por Joelma Terto .  0 Comentários