sexta-feira, fevereiro 28, 2003

Esquentando os tamborins (dos outros)

Tava aqui ouvindo Bonsucesso Samba Clube. Afúcs. Tem uma música mutcho boa: Sala de Justiça. Lembrei de Olinda... Me vi subindo e descendo ladeira...

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"Olinda, quero cantar, a ti, essa canção. Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar, faz vibrar meu coração, de amor, a sonhar, minha Olinda sem igual, salve o seu Carnaval. Pam-ram-ram-ram-ram-ram-ram pam-ram-ram-ram-ram-ram-ram..."

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Ah, Olinda...

podrêra!

A foto mais crássica de todas, do melhor carnaval da minha vida. Fev/1999. Só com gente boa:

Da esqu. para a direita: eu, Erika, Karina, Sivas e Sururu. (atrás, ainda dá pra ver a boca e o nariz do Lamenha, o perfil do Brunovski, um pedaço do Pascoal, de óculos escuros, e os cabelos e as costas da Lu).

Esse dia/momento foi algo. Eu não sei dizer, dos 5, quem tava mais bêbado e molhado nessa hora, em pleno Quatro Cantos, ouvindo e dançando MUITO rock n´roll. E bebebendo, sem parar, tudo que passasse na frente: cerveja, cachaça, pau-do-índio, Axé...

Podre de bêbada, resolvi dar um stage diving(valeu Coelho!). Não só dei um, como dois. Tinha deixado meus óculos (escuros e de grau) com uma pinta que nunca tinha visto na vida. Quando voltei pro chão, nada deles. Bêbada, e agora cega (não enxergo um palmo à frente sem meus 2,5 graus de miopia em cada olho) caí no maior chororô. Eu chorara, chorava, chorava. Me abraçava em cada pessoa que aparecia e dizia "ai, eu tô cega, e eu vou me formaaaar, e eu não sei o que fazer da vida, meu mundo caiiiiiuuuu". E chorava, e dançava, e pulava e ria, ria, ria, ria muito mesmo, ao mesmo tempo. A foto ilustra bem minha cara vermelha de choro e o sorriso feliz] Foi a cena mais engraçada do mundo. Cada pessoa que vinha falar comigo, eu dizia que amava, que era feliz por ser amiga dela. Vê o que um Pau do Índio (a cachaça) faz na vida das pessoas. Mas era verdade.

E absolutamente TUDO acontecia a nossa volta. Muitas coisas, muitas cenas. (impublicáveis, a maioria, mas o Sivaldo lembrou de uma, nos comments do Assim-Assado: o Sururu “atracado” com uma guria, rolando, literalmente, na lama). TODOS os amigos (de maceió, alguns de recife) ali. Paulinha, Arla, Giuliano, Lu Wanderlei, Tati e tantos, tantos... passamos horas naquele lugar.

Depois de tudo, de horas e horas despirocando, noite caindo, eu e a Karina já sóbrias, a Erika era que estava num estadinho. O pior é que tivemos, as duas, que, literalmente, CARREGÁ-LA ladeira da Piedade Misericórdia acima. Sim, a Ladeira da Piedade Misericórdia (a mais íngreme daquela cidade cheia de sobe-e-desce) até a Casa dos Jornalistas, lugar onde estávamos hospedadas.

(agora que comecei vou ter que falar)

Chegamos em casa (uma escola pública cedida pelo Sindicato dos Jornalistas, que abrigava jornalistas de tudo quanto é canto do país), a Erika "desmaia". Eu e a Karina tomamos banho e, tudo pronto pra ir pro Rec Beat (recife antigo), quem disse que a Erika acorda? Tentamos de todo jeito.

E o jeito foi deixá-la dormindo e ir. Foi das noites mais surreais, as duas loucas, no Beco da Moeda, com uma garrafa de vinho embaixo do braço e goela adentro... enfim. Pula essa parte, porque eu realmente não lembro muito, mas acho que foi na noite que tocou Eddie... Sei que voltamos, sei lá que horas da madrugada.

Assim que pisamos na sala, a Erika que dormia, do mesmo jeito que tínhamos deixado, levanta de um salto e diz: "putz, tenho que tomar banho pra gente ir pra o Recife".

Eu, rindo: "Erika, sabe que horas são? A gente acaba de chegar de lá"

Ela: "Tu é uma pallhaça mesmo" (eu juro que foram essas as palavras!) "Parem de brincadeira, vocês duas, tá na hora da gente ir, a gente vai perder os shows e bababa"

Eu: "Ei, se liga, a gente tentou, de todas as formas, te acordar, mas você não acordou. Já fomos e voltamos"

Ela ficou puta. E teve razão pra ficar puta, mas porra, não foi por mal... Não foi mesmo. Até hoje sinto remorsos por aquela noite, mas não foi por mal, irmanzinha, não tínhamos outra opção.

No dia seguinte, logo cedo, já estávamos a mil, de novo, nos Quatro Cantos mais uma vez, prontas para mais um dia de folia. Com minhas super lentes rígidas (o cão dos infernos aquela lente) e uns óculos cor de rosa, cedido, acho eu, pela Regina, ao ver meu pranto porque tinha perdido os malditos-óculos-escuros-com-grau, e que até hoje estão comigo. Olha só (agora me empolguei):

Quatro Cantos again!

Essa aí já postei aqui um pedaço. Agora a original. Nós e o Daniel da Gruta, outra figura maceiosense, que está no Canadá agora.

Isso nas nossas mãos são PENTES mesmo. Acordamos animadas, atrás do Bloco do Pente: uns loucos que tiram som de... pente. De cabelo. O lance é botar um papel celofane e soprar. Nunca conseguimos. Nem achar o bloco nem tirar som dos raios dos pentes, por mais que tentamos, mas enfim.

A gente tinha conhecido um cara massa no dia anterior, no Enquanto Isso na Sala de Justiça, o Ricardo, que tinha uma banda (não lembro mais o nome, tu lembra, Erika?) e que tinha passado um dia inteiro com a gente, em todas as roubadas (ladeira acima e abaixo, dançado numa ciranda gigante, ficado horas sentados nas escadarias do MAC) e que todo ano acompanhava e tocava no bloco. Eis a figura:

O pente!

Isso na minha mão é uma PISTOLA D'ÁGUA, na época, o objeto de desejo de todo e qualquer folião olindense. Amizades efêmeras se formaram naqueles dias por causa de uma simples pistola d´água. Vimos cenas incríveis e hilárias envolvendo esse objeto lúdico. A minha era POWER demais. Super poder de alcance, mira e tudo. Como éramos felizes.

Ah, nostálgicas recordações...MUITAS histórias desse carnaval... E aquele dia do TRAGO FENOMENAL foi o dia em que a gente conheceu a trupe dos Nerds: os Lambda-Lambda-Lambda. Preciso postar isso tb pq é muito bom. Vejam a insanidade:

Tri-Lambda

Os dois da direita são o Mateus e a Cecília. Recifenses, figuras massa, fanzineiros.. Encontramos eles na noite, no Rec Beat, no mesmo dia, quando deixamos a Erika em casa, e nos outros dias. Pena que perdemos contato com eles, mas vou ver se remexo nos meus arquivos e acho o e-mail deles: dosamores. Eles eram namorados e o carinha de óculos é irmão dela. Os 3, juntos, eram as figuras MAIS engraçadas de todo o carnaval. Sem medo do ridículo. Num lugar onde todo mundo quer comer todo mundo, em que as meninas se fantasiam de Whiskas (isso mesmo: comida de gato), eles chamavam a atenção pela completa falta de sex appeal. Os dosamores, já tinham um ao outro mesmo, e, diz a Cecília, que o irmão dela, esse sim, era um verdadeiro nerd. Hahaha. Que figuras. Terrivelmente engraçados.

Antes que me perguntem: isso é a cara deles mesmo? (porque todo mundo que vê essa foto se espanta) Essa coisa na cabeça, testa, sei lá, é uma máscara, daquelas de cara de presidente, cortada, de forma a sobrar só o cabelo. Criatividade a mil dessas pessoinhas massa e inesquecíveis.

E já que "recordar é viver", vou botar mais uma foto aqui, que essa também é bacana.

do Alto da Sé
"Ô Kaká, telefone pra ti!"

Sem dúvida, o melhor carnaval da minha vida, cercada por pessoas queridas, e com as minhas irmanzinhas alagoanas que eu sinto enorme saudade. Dizem que o carnaval em Olinda não é mais como antes. Só vendo. Mas o que eu sei é que os dois únicos que passei lá renderiam muitas histórias pra contar, muita coisa a recordar, muita gente pra sentir saudades. Muitos encontros e desencontros por aquelas ladeiras encantadas. Me fizeram sentir o verdadeiro significado do carnaval, que sinto nunca mais encontrar. Ou não. Foi bom.

Eu daria o meu mindinho (ai!) pra estar lá esse ano, de novo. Mas, não rolou. Não deu. Não tive grana e blah-blah-blah. Quem sabe o ano que vem? Enquanto isso, na Sala da Justiça*...

“Levanta a cabeça e vê na ladeira a alegria descendo. Estandarte com nome e um monte de gente correndo. Toca o clarim anunciando quem vem descendo: é a Sala da Justiça. Vai descendo, vai, na ladeira tá passando um bloco tá. Vai correndo, vai, pois o bloco tá cantando sem parar” (Sala da Justiça. Bonsucesso Samba Clube)

*definitivamente, o bloco mais legal de todos e meu preferido. A saber: tradicional bloco olindense, que sai aos domingos, do Alto da Sé. Pra participar é só chegar lá vestido de super-herói.


# . por Joelma Terto .  1 Comentários