quinta-feira, fevereiro 13, 2003

AGITE ANTES DE BEBER -BEBA ANTES DE AGITAR
OU
Como perder, totalmente, a noção do ridículo. Publicamente.

(um post grande pracaralhos. Mas eu acho que vale a pena*)

A insanidade não tem limites por essas bandas. Eu preciso falar, aqui, sobre a tal FESTA DA CARNE, porque aquilo lá foi algo e eu acho que preciso dividir com vocês.

Na verdade, eu quero aqui falar, especificamente sobre fantasias. Não são fantasias sexuais não, seus pervertidos. Falo de fantasia/adereço festivo porque a festa foi à fantasia.

Eu diria que as pessoas se puxaram. Tinham coisas realmente engraçadas e criativas e ridículas (no bom sentido). A guria vestida de Medusa, por exemplo. Cobicei demais aquela fantasia. Como nunca pensei nisso? O Gabi de fada madrinha, com saia de tule rosa e varinha de condão, com uma estrela na ponta, concedendo desejos... o que era aquilo? Eu não conseguia olhar pra ele e não rir muito. O Nuñez de Pessoa Jurídica foi muito show. E a Camilinha, de Ximia de Melão?!? era outra que me fazia rir, só de olhar, mesmo de longe.

...

Tava aqui pensando no que eu poderia me fantasiar quando olhei pra cima do micro. Entre os gatos japoneses, o estranho gato e o calendário, uma plaquinha laranja, roubada do super, pela Trupe, dias antes de ir para Arambaré, com a seguinte inscrição: Sem Álcool.

Bingo!

Montar o figurino foi fácil: uma blusa laranja, brincos da mesma cor e uma calça (afudê) verde e laranja, que já foi usada, inclusive, na festa psicodélica do enecom de são léo (naquela ocasião os acessórios tb eram laranja,e eu segurei, durante toda a festa, uma bergamota. Eu sei que isso soa estranho, mas é a mais pura verdade).

Enfim e voltando: tava montada a minha incrível fantasia de: SUCO CITRUS!

noveau mimix me liga à tarde: “tu vai de que?”. De Suco Citrus. “O quê?!?”. É, de Suco Citrus. “Hum... então, eu posso ir de garota propaganda do Suco Citrus!”. Fechado. Abre parênteses. Eu diria aqui que amo muito essa monina. Olha, só pode ser uma relação cósmica e cármica. Não tinha como ser menos perfeito. Fecha.

mimix entrou na onda completamente e foi de garota propaganda/ demonstradora/ promoter do tal suco. E desempenhou seu papel com uma perfeição e talentos incríveis. Precisava ver. Se eu não fosse o próprio suco, juro que teria me convencido a comprar nem que fosse uma caixinha.

No caminho, a gente criou toda uma historinha, praticamente uma esquete teatral, e, na festa, a gente parava todos os viventes pra ela apresentar o suco. Ela, muito fofa, de saia de tule de bailarina, com uma echarpe verde de plumas no pescoço e uma plaquinha na mão: BEBA SUCO CITRUS, ia destilando um texto, podre de engraçado, diga-se.

Estávamos ali lançando um novo produto: SUCO CITRUS. Sabor SIRIGÜELA-UMBU. Ela ia falando as vantagens de comprar o suco, enquanto eu fazia toda uma encenação corporal, tentando ao máximo, incorporar uma caixa de suco.

Vejam bem: além de ser o único no mundo com tal sabor inusitado exótico e delicioso(sic!), sua embalagem, “dinâmica" e "arrojada" (isso fazia parte do texto), SUCO CITRUS é o único que vem com um super-dispositivo-ultra-mega-tecnológico que faz o suco agitar sozinho! Uma vez que na frente da embalagem tinha um rótulo: AGITE ANTES DE BEBER. A Mi ainda dizia algo do tipo “quando vocês eram pequenos, lembram que suas mães diziam: filhinho não esquece de agitar o suco” (por deus!). Nessa hora, ela demonstrava o funcionamento do dispositivo, apertando um botão imaginário nas minhas costas e eu me chacoalhava inteira, da forma mais ridícula que eu pude encontrar, semelhante a uma convulsão. E admito que, muitas vezes, nem eu me agüentava, perdia a concentração e me acabava de rir, enquanto agitava.

Como se não bastasse, por um precinho camarada, você ainda levava (por se tratar de um lançamento), totalmente de grátis, de brinde: UMA LINDA CANECA PERSONALIZADA (essa frase estava colada na caneca laranja, que por sua vez estava pendurada no meu pescoço. Notem o grau da disfunção mental das criaturas).

A apresentação acabava mais ou menos assim: SUCO CITRUS: BEBA GELADO (nessa hora eu virava a embalagem e a frase aparecia, como passe de mágica, impressa num rótulo verde e laranja).EM BREVE. NUM SUPERMERCADO MAIS PERTO DA SUA CASA. Essa parte final, nós falávamos juntas, naquela entonação de vendedor do shoptime, e apontávamos na direção ao(s) possível(is) consumidor(es).

As apresentações iam ficando mais realistas (e engraçadas) à medida que a gente ia desenvolvendo. Mas uma hora eu deixei a Mi cuidando do Valdirzão (o cachorro de pelúcia do Eduardo), fui no bar e demorei horas pra voltar. Quando voltei, ela tinha sumido. Passamos algumas horas separadas e quando a gente se reencontrou, as duas não tinham mais condição alguma de apresentar seja lá o que fosse.

Inclusive eu a reencontrei de uma forma engraçada. Alguém chegou pra mim, no bar: “tu é o suco citrus? A tua promotora de vendas tá te procurando. Ela tá ali, ó.” Ela já havia até perdido o cartaz BEBA SUCO CITRUS, pra se ter uma idéia. E a saia de tule tava encharcada de cerveja.

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Detalhe é que o nome do suco e o sabor estavam impressos na minha pele, de caneta. Estavam não, estão ainda, que eu já tomei banho e não sai mais. Ah, e sem contar naquela plaquetinha infame SEM ÀLCOOL, em cima da minha cabeça.

(Quem não viu, não pode ter noção do quão ridículo era essa fantasia. Não pode. E eu espero muito que a única foto que tiramos fique legal, porque eu preciso ver isso de novo pra acreditar que eu cometi uma coisa dessas.)

A tal plaquinha, inclusive, me causou alguns transtornos, porque todo mundo chegava perto e questionava “oque? Como assim, Sem Álcool?!?”. Como, a essas alturas, também, eu já estava num “estadinho” (festa com bebida liberada é foda), a única coisa sensata que eu poderia dizer era “já ouviu falar em propaganda enganosa?”. E tinha ainda a frase padrão número dois: “SUCO CITRUS ADULTERADO”. Que o Inmetro e a Vigilância Sanitária não me ouvissem numa hora daquelas, senão eu seria APREENDIDA.

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Eu diria que a noite foi divertida horrores e que demos muitas risadas. Mas não tinha suco pra vender não, nem degustar. A gente tava fazendo só a divulgação...

Foi tão legal a experiência de ser Suco Citrus por um dia, que já estou pensando em novos sabores, tipo PITANGA-GRAVIOLA. E, inspirada no comentário do Garcia, num upgrade da fórmula, para uma nova ocasião. Suco Citrus. NOVO! Agora, com VITAMINA C.

Também penso em propor uma joint-venture com a Jack Daniels. Jack Citrus: versão CALIBRADA. Assim não terei problemas com o Inmetro nem posso ser processada por propaganda enganosa.
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(eu me impressiono, às vezes, com a minha capacidade de desprender energia para coisas inúteis)

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momentos Essa Merece, da noite:

- A-DULTERADA! A-DULTERADA! (eu e a Edna)
- Ciências exatas! Ciências exatas! (eu!)
- Definitivamente, a Joelma é um caso patológico de insanidade mental. Sem solução. (alguém que não lembro. mesmo.)

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E o que eram aqueles caras loucos que ficaram falando em inglês comigo? Eu, quando assim, já tenho essa estranha mania de falar half in english half in portuguese toscamente... e não fui eu quem começou! Eu juro que tô tentando me curar disso. Eu juro.

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Engraçado também foi uma hora em que eu dançava, ridiculamente, claro, com o Gabi e um carinha, que havia me ‘abordado’ várias vezes, tentando, em vão, provar o suco, chegou perto, muito puto e largou algo do tipo: “tu não me dá bola e fica aí com essa fada horrorosa!?!”. Pior é que eu tava só dançando com ele mesmo. Mas foi engraçada a cara de indignação da criatura.

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(abstenho-me de publicar mais detalhes sobre a FESTA em si. até porque muitas passagens estão meio confusas e eu não sei se vivi mesmo ou se sonhei. mas, conversando com mimix, hoje, a gente chegou a falar que a noite pareceu interminável. muitas, mas muitas, mas muitas coisas aconteceram. muitas coisas vistas e vividas. muitas cenas bizarras, inusitadas, hilárias... mas só registrar que o lugar estava LOTADO. muita gente mesmo. muita gente sedenta por festa e alegria. chegou uma hora que tinha uma galera tentando entrar, mas não cabia mais. vale dizer também que, lá pra quase o final da festa, a galera do bar era um show à parte. tais pessoas, assim como TODO MUNDO naquele lugar, estavam tortas. eles só bebiam e esqueciam de servir a quem ainda estava sedento por cerveja. eu amo a FABICO por nos proporcionar coisas assim.)

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Eu me divirto.

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conte quantas vezes aparece a palavra RIDÌCULO nesse post e não ganhe nada porque isso aqui não é promoção. mas eu tentei achar uns sinônimos pra substituir algumas e não achei nada realmente condizente com a situação.

*esse post foi editado no Word, no qual ocupou 3 páginas A4, fonte verdana 10 (4. só por causa dessas linhas finais). e deve ter me tomado, pelo menos, uma horinha e meia em frente ao micro. mas em menos de 15 minutinhos, tu lê. a menos que tu seja disléxico. (tá, eu podia terminar sem essa)


# . por Joelma Terto .  0 Comentários