sábado, dezembro 21, 2002

"Waiting on a shooting star"

Tava tudo tão bem, tão leve e tão mágico. Tudo, os momentos todos. Mas hoje aconteceu uma merda tão grande que me fez chorar. Muito. Eu nunca fui assaltada. Mas hoje fui. Roubada. Furtada. Levaram meu celular. Eu tô inteira, tô aqui. E não reclamo por coisas materiais. Reclamo que era um momento tão mágico, que estava tão feliz e acontece tudo isso. E de uma forma tão estúpida. Reclamo que o mundo, às vezes, parece querer te provar o tempo todo que nada é ... continua.

Continuando... perfeito.

Eu gosto muito da Sabine, que é uma grande amiga que mora em SP e veio passar o natal aqui em PoA. Depois de horas conversando muito, muitas coisas, a gente resolveu dar uma volta pelo Menino Deus. Fomos indo, fotografando as casas do bairro. Daí ela disse que queria ver o Guaíba. Fomos andando, fim de tarde, até a Av. Beira Rio. Dia estranho, mas bom.

Foi tudo muito rápido. Dois carinhas, bem vestidos e afeiçoados até, em bicicletas. Fizeram uma abordagem idiota. E, de repente, záz. Um me puxou o celular, única coisa que eu carregava, já que a gente ia só dar uma banda por ali... Gritei. Qual é cara? Que é isso? Me machucou a mão, fiquei com um pedaço da alça da capa. Saí correndo atrás. Corri, corri, corri, pedi ajuda. Até perder de vista. Sentei num banco de chorei. Chorei muito. De raiva. Enquanto a Sabine tentava me alcançar.

Amaldiçoei tudo. Xinguei deus, o mundo, essa merda de vida, essa merda de coisas estúpidas que acontecem. Putz, foi estúpido. Num minuto, um carinha idiota cheirador qualquer me levava um mundo. Meus contatos. Meu trabalho. Muita raiva. Raiva de mim, que não me liguei a tempo. Que não imaginei o que podia acontecer. Um momento tão lindo, o Guaíba, a vista da cúpula da Catedral e da chaminé do Gasômetro ao fundo... uma distração.

Depois tudo o mais. Pensar no que fazer, ligar pra Brigada Militar. Em menos de um minuto estavam ali quatro viaturas, cavalaria e tudo. Todos empenhados. Eu, vítima. Descrever suspeitos. Identificar suspeitos, em pleno parque Marinha do Brasil. Bela caminhada pelo parque, muito bela. Muita raiva. Muita raiva. Muita raiva. Pegar carona na viatura. Buscar meus documentos. Registrar ocorrência... Liberei a Sabine. Ir na Telefônica e tentar um desbloqueio sem sucesso.

Ainda no shopping, começou a bater algo. Não era mais raiva, mas revolta. Porra, que merda. Que merda tudo isso. E chorei. Chorava e andava. Putz, fim de ano, finanças já curtas, tudo querendo se arrumar e mais essa! Merda de vida fudida. Merda de tudo. Só, muito só. Liguei pra Ladie, mas a Super Mimix atendeu e num minuto disse que estava vindo me ver. Quando chegou, me encontrou lavada em choro, vendo isso aqui. Quanto mais via, mais chorava e soluçava e tudo parecia sem solução, sem razão, sem sentido.

Perdas materiais. Só isso. Vim pra casa da Ladie. Recebi carinhos muitos do amigo todos. Chorei mais um pouco. Solucei mais um pouco. Tudo se resolve, Jojoinha. Ela me disse. Tudo se resolve...

"Now all I need is my star to come"



# . por Joelma Terto .  0 Comentários