quinta-feira, dezembro 05, 2002

Amar exige coragem e hoje somos todos covardes. (Arnaldo Jabor)

Estamos com fome de amor cortês, num mundo em que tudo perdeu aura. O terrível bombardeio que a cultura americana está fazendo nos sentimentos é invisível, mas é pior que as bombas contra o Iraque. A cultura americana está criando um "desencantamento" insuportável na vida social. Tudo é tolerável, num arrasamento de mistérios. Vejam a arte tratada como algo desnecessário, sem lugar, sem uso, vejam as mulheres amontoadas na internet, nuas, com números - basta clicar e chamar. Estamos com fome de infinito em tudo, na vida, na política, no sexo. Por isso, o filme de Almodovar, cheio de compaixão sussurrada, apoiada na trêmula beleza dos balés de Pina Bausch e no Caetano cantando um pranto dolorido, parece um segredo religioso, uma saudade inexplicável de alguma coisa que existe "aquém", antes da vida.

(Arnaldo Jabor, na crônica “O amor deixa muito a desejar....”, sobre o filme. Enviado há dois dias pela Ladie Estradeira)

Quando saí do cinema, havia parado de chover. Dava pra ver até umas estrelas no céu...


# . por Joelma Terto .  0 Comentários