quarta-feira, novembro 27, 2002

Insônia também por aqui, mon amour OU Variações sobre o mesmo tema

A Ladie postou uma coisa massa sobre ENECOM hoje

Eu comentei por lá, mas queria aproveitar o gancho aqui. É que aquele Enecom da Paraíba foi, sem dúvida, a melhor coisa que me aconteceu (tá, a melhor foi vir pra PoA, mas falo cronologicamente). Eu costumo dizer que sou Joelma AE (antes do Enecom) e DE (depois do Enecom). Isso não é exagero.

Aquele Enecom, de 1997, serviu pra eu me descobrir por completo, de uma forma absurda, e conhecer muita gente especial, que ainda hoje faz parte da minha vida, principalmente pessoas de Maceió mesmo, que conhecia só de vista e que depois do encontro viraram melhores amigos. Momentos muito engraçados, como o “Ninguém dorme”, “Berequetê”, “banheiro Aushiwitz- não sei se é assim que escreve (e seus buraquinhos “A´há, u-hu, o buraquinho é nosso”), “Todo mundo nu”, “Oficina de Surto Artístico”, “Oficina de Sono Artístico” e de “Culinária Imaginária” (que consistia em comer a comida nojenta do R.U. imaginando que eram iguarias finas), “Culto a Baco”... vão me fazer dar risada cada hora que eu lembrar.

Porres homéricos, como na noite do Luau-sem-lua, na praia, que eu fiquei completamente fora da casinha. Fiz horrores, surtei tudo que tinha pra surtar. Com a blusa manchada de vinho e um saco plástico de supermercado enrolado no pulso (que eu insistia em mostrar a todos como minha pulseira nova). Lembro que eu tentava identificar as pessoas que fizeram oficina naquela tarde comigo, simplesmente abordando: “Deus criou o mundo em 6 dias e no sétimo...”. “Descansou” era a senha. Encontrei algumas. Mas a maioria me olhava com cara de “ãhn?”. As fotos dessa noite são simplesmente hi-lá-ri-as. O vinho acabou e a galera fez uma cota e incumbiu a mim e a Fábia, de comprar num posto de gasolina. Voltamos com duas garrafas de 51, felizes da vida. Terminei a noite encharcada de chuva, chorando aos cântaros, incomodando a todos, mas ganhando o título de “A bêbada mais divertida do Enecom”. Nesse dia coloquei meu colchão do lado de fora e dormi na chuva, só porque era a única integrante da ala “WoodsFashion” (a delegação da Ufal estava dividida em duas alas: “Woodstock” e “Fashion”). E não teve alma que me fizesse entrar em qualquer das salas, porque eu me recusava veemente...

Foi meu primeiro Enecom e o da nossa Ladie também, mas só viemos nos conhecer aqui em PoA, em 99. Mas eu sei que se não fosse esse elo todo de Enecom eu não estaria aqui hoje. Disso eu tenho certeza, por tudo. E quem conhece toda a história sabe, não preciso colocar aqui.

Dois anos depois eu estava em um novo Enecom, dessa vez em Maceió, quando tudo aconteceu. Quando vim parar aqui. Mais choro. Dessa vez de saudades de tudo o que eu estava deixando pra trás e de felicidade apreensiva por tudo que eu poderia viver. Mas precisava vir. E cá estou.

Muitos momentos lindos vivi nos quatro Enecoms que participei, dois deles já formada e como oficineira. Lembro cada momento e de cada pessoinha. Lembro de tudo com uma nostalgia alegre, mas com um aperto no coração de não poder mais viver isso. De crescer. De ter que pensar na vida profissional e abdicar dos momentos lúdicos de um encontro. De quando se vive um encontro.

No meu último, da Unisinos, também chorei. Muito. No último dia, na festa Psicodélica. Agradecia também, Rafa, por estar viva. Agradecia por estar ali. Agradecia por aquelas pessoas existirem. Por todo aquele momento mágico, sem igual. De saudades de quem estava voltando. De saudades de quem se foi e não estava ali pra compartilhar conosco. Abraçava as pessoas e chorava, chorava, chorava, enquanto desabava um aguão do céu. Chorava de felicidade e de muita emoção. Nada, nenhuma palavra, pode traduzir aquela noite. Acho que, no fundo, sabia que aquele seria meu último Encontro. Cada hora de ir era uma dor de estar deixando aquilo pra trás e uma ansiedade pelo ano seguinte. Mas naquele ano, naquele ano, eu estava ficando. E nenhuma palavra pode traduzir isso também.

Desejo muito que os Enecoms continuem acontecendo, que a New Generation não deixe isso morrer, mas sei que está cada vez mais longe de mim. Do que fui. Do que passou. Agora, só posso recordar com nostálgica alegria e alimentar os tantos laços feitos nesses quatro anos.

(esse post foi um surto de lucidez. 03h.03min – hora de dormir. mas não sei se consigo.)


# . por Joelma Terto .  0 Comentários