sexta-feira, novembro 29, 2002

Eu quero as coisas que me façam sentir

Minha noite ontem começou oficialmente no Teatro São Pedro, quando encontrei o Luis pra ver o espetáculo O Universo Pelos Sons, com três mega-percussionistas: nosso mui querido Giba Giba, o Fernando do Ó e o Giovani Berti.

Não sei se encontrarei palavras pra descrever o que vi, ouvi e senti ontem. Quem não viu, perdeu um espetáculo simplesmente lindo. Já disse que minha vida se faz de luz, cor, imagem e som, não necessariamente nessa ordem. Pois bem, a exemplo da minha experiência rush, foi isso o que vimos ontem. De forma maestral.

De acordo com o release, o show, de 90min, teria temas próprios como 4 Elementos, África e Planeta Caos, que exploram ritmos gaúchos e influências de word music, com utilização de mais de 50 instrumentos de percussão.

O começo do espetáculo foi louco. Progressivo na veia! Conceitual puro. Do progressivo ao hipnótico em alguns segundos. A iluminação remetia ao universo, às estrelas. Um clima intimista pracaralho. Sons de natureza. Sons de ondas. Sons de água. Sons de chuva. Sons de raios, relâmpagos e trovões. À medida que o espetáculo corria, no fundo do palco, um telão reproduzia efeitos de luz e imagens. Muitas cores. Muitos verdes. Muitos vermelhos. Alguns azuis... Em um momento em me senti perdida no meio de uma floresta. Outras me senti no “centro do sol com você”, no meio da guerra. Mas tudo era calmo e bom.

Os instrumentos eram uma atração à parte. Durante todo o espetáculo, volta e meia se ouvia um xilofone simplesmente divino. Num momento progressivo, o do Ó sacou um instrumento que não sei o que é (um arco, lembra um berimbau, tocado com um bastão de madeira, que parece ser oco). O troço fazia um som de baixo, baixão. Ducaralho é pouco. Em momentos “heméticos pascoais”, o Giba tirou som de um papel celofane vermelho, que em contato com a luz fazia vezes de fogo e o Berti tocou uma chaleira.

À medida que o espetáculo ia correndo, a sonoridade ia mudando, até descambar numa bateria mutcho loca de escola de samba. Paraticudum, particudum, paraticudum. Na veia, nos poros, na alma. Seguindo do momento mais mais da noite: um solo perfeitamente sincronizado, do Berti e do Ó, tocando caixas (não sei se o nome é esse. Não falo em caixa, tipo tarol, mas aquela caixa quadrada de madeira, que o tocador senta em cima). Acompanhado de um tímido sopapo do Giba. Isso sim é indescritível. Não tentarei falar, Só posso dizer que eu tinha a boca aberta num sorriso nessa hora. Êxtasi total.

Depois tudo virou calmaria. Os astros brilharam no telão. O cosmos. O xilofone intimista. O aconchego. A paz. Um despertador toca, anunciando o fim do espetáculo. A platéia vai ao delírio.

Belo.

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“Tudo o que eu quero é queimar, tudo o que eu quero é brilhar, tudo o que eu quero é expandir minha luz

Eu vou pro centro do sol, eu tô no centro do sol, eu tô no centro do sol com você

Com você eu tô no centro do sol, eu vou girando, girando em torno do sol

Não me deixe nervoso, não me largue, não me mate de raiva, nem me peça perdão”

(ZeroQuatro – Girando em Torno do SOL)


# . por Joelma Terto .  0 Comentários